sábado, maio 11, 2013


Um dia irá parar de chover e nós sentiremos falta da lama cobrindo toda a rua e destruindo nosso quintal, um dia irá parar de chover e nunca mais iremos ouvir o som da água chegando e arrastando nossos carros, um dia irá parar de chover e nós nunca mais iremos flutuar.

domingo, maio 05, 2013

Amanheceu em Porto Alegre


O pessoal do Rio Grande do sul ficou sabendo que eu tocaria na edição sul do Festival Movimento Hotspot e bolou uma entrevistinha com o pai da cecilia. Quanto ao showzinho no festival durou meia hora e eu tive uma ideia de ultima hora: que tal usar o bumbo e tocar tipo one man band? O detalhe é que era a primeira vez que eu fazia isso e até que não saiu tão ruim quanto eu imaginava – apesar de ter sofrido pra agüentar o ritmo e ter errado um monte. Agora estou pensando em comprar um bumbo, um megafone e montar a “Rufatto Trucker Band” pra tocar na rua.


segunda-feira, abril 22, 2013

EP de Record Store Day 2013









O Ep do Record Store foi lançado no dia 20/04 e está com download exclusivo através do site Scream e Yell - neste link aqui e ainda tem uma entrevistinha minha. Até ai, ok, o massa mesmo é que Marcelo Costa também entrevistou John Ulhoa - o geniozinho por trás do Pato Fu e compositor de Quase - a música que escolhi para estragar neste disco e ele deu um joinha pra versão. A entrevista pode ser lida aqui \o/

Para baixar todo o disco é só clicar na capa do álbum.

:)



ah, PS: Se tudo der certo, neste fim de semana me apresento em Porto Alegre, na Etapa sul do Movimento Hotspot. Ainda não sei muita coisa sobre como serão as apresentações (a minha será acustica), nem se o raio x do aeroporto não vai confundir meu kazoo (um instrumento musical de sopro) com um cachimbo de crack, só sei que o evento vai ser entre os dias 26 e 28 de abril no Centro Cultural Usina do Gasometro, no Centro de Poa e se eu não perder o voô, estarei lá.

Abaixo o Flyer e mais informações aqui ó:  http://movimentohotspot.com/



quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Biblioteca Pública




Homens são nojentos, são o tipo de animal que faz você cruzar a rua para não dar de encontro com seus caninos. A diferença entre homens e cachorros é meramente vetorial, são sinônimos e talvez por isso sejam seus respectivos melhores amigos. Ambos sentem cheiro de sexos á metros de distancia e saem metendo o focinho em qualquer vala pubiana. 
De onde estou sentado, consigo olhar para dois deles. O primeiro cerca de trinta e cinco anos, pele quase escura, quase calvo, roupas claras, sociais. O segundo estudante, não mais de vinte um, talvez vinte e dois anos. Rosto espinhenta, roupas comuns, talvez não custem ao todo sessenta reais. Ambos os animais espreitam a mesma presa. Uma jovem sentada na parte superior da biblioteca onde ficam aquelas mesas, na verdade quase cabines de leitura abertas e direcionadas a parte principal da biblioteca. Ela deve ter seus vinte e três anos e alguma tinta no cabelo, provavelmente ultimo ano de faculdade, sapatos vermelhos, saia na altura dos joelhos. A maneira como essas “cabines” de leitura ficam dispostas dentro do recinto, em tese deveriam ser proibidas a moças de saia. Mas esta mulher está lá sentada sem se importar. Olhei para ela algumas vezes, o suficiente para notar que nada a distraía. Já os homens que descrevi mudavam seus passos para tentar encontrar alguma calçinha entre aquelas pernas cruzadas.

Pateticamente situada logo acima da sessão “auto-ajuda” a moça ameaçava descruzar as pernas e o homens mais velho levantava, caminhava até a sessão, encarava algum livro enquanto esperava que a mulher lhe desse um prêmio. Após alguns minutos ele se cansava e voltava a sentar, mas de frente para as pernas da mulher. Passavam um ou dois minutos e o rapaz mais novo repetia praticamente o mesmo roteiro do homem mais velho: se aproxima da sessão, olha para o estande, pega um livro, abre e começa a ler enquanto cuidadosamente levanta o pescoço em direção às pernas da mulher. Por mais de meia hora os personagens se revezavam. Fiquei instigado a levantar e caminhar em direção aos prazeres da auto-ajuda, mas sempre com algum receio de que algum conhecido me encontrasse naquela parte da biblioteca e como explicaria minha presença naquela sessão? Teorias furadas – porem divertidas.
Na dança dos personagens em busca do pote de ouro, imagino o impacto em suas vida caso a menina abrisse suas pernas e lhes presenteassem com uma ausência de roupas intimas. O rapaz do rosto espinhento poderia estar diante de um grande momento, o auge da semana ou apenas o mais próximo que este chegará perto de uma calçinha ou do que se encontra dentro dela em muito tempo. Esse teria muito argumento de auto-ajuda para a semana.
Já o homem pode estar tendo um dia ruim, uma semana, um mês ruim e de repente na irônica sessão de “auto-ajuda” encontra alguma felicidade, até se achando sagaz de estar no lugar certo e na hora certa quando alguém sem querer lhe mostrou sua surdina. E a moça? Que não esboçou sinal algum sobre o que lhe acontecera mesmo que de forma alheia e isenta às suas próprias forças, alem do fato de ter saído de casa usando uma saia bege, isto é, supondo que exista uma calçinha, é claro, nunca saberemos.
Acabo o livro, levanto e caminho até a porta. No caminho olho a sessão de escritores estrangeiros mais procurados e ouço pai e filha discutindo sobre a indecisão da menina para com os livros que levaria. Seu pai aparentemente irritado - e falando a hora que mostrava o relógio da sala da biblioteca - sugere que a menina leve um livro de Paulo Coelho na lista dos mais procurados. A menina suspira e retruca o pai: “ta maluco? Eu não gosto de Paulo coelho”. Certamente ele não sabe que sua filha está passando pelo ritual adolescente de afirmação pessoal e mesmo que Paulo Coelho fosse um bom escritor – o que não posso afirmar - sua filha nunca pegaria um livro por sua escolha.
Começo a rir e a senhora ao meu lado, com Falkner nas mãos também ri e diz “que beleza de dialogo…” 

quarta-feira, fevereiro 20, 2013



A faca em suas mãos é o que restou por esperar pela sorte que não vem – sorte que insiste em andar de mãos dadas com outro alguém. A casa é o seu chão em só um colchão pra dormir e rimar e disfarçar o vazio entre as cores que descascam e desbotam nas paredes deste quarto de pensão

Neste quarto de pensão que eu divido com outros seis
pára-raios de gente louca.

Nada nessas mãos, só uma bolsa à carregar, cheia de trapos pra vestir se um dia precisar, precisar, se um dia precisar correr, se um dia precisar fugir dos olhos da verdade – certa vez ela entrou pela porta e ninguém viu, era o ultimo instante em que a sorte sorriu,

Neste quarto de pensão que dividido com outros seis
pára-raios de gente louca.

segunda-feira, dezembro 31, 2012

Single de natal





este ano o papai noel passou um atrasado aqui em casa, mas como o ano ainda não virou, acho que ainda está em tempo para um single de natal.

:)

domingo, dezembro 02, 2012



O site Hominis Canidae fez a tradicional coletânea dos lançamentos do Mês (no caso, novembro) e colocou "desligue o rádio" entre as músicas do mês.
Para baixar, é só acessar o link abaixo

http://www.hominiscanidae.org/2012/11/coletanea-hominis-canidae-30-novembro.html

:)


pouco a gente têm, e mal serve pra pagar nossa casinha de brinquedo, o café e o pão.
está tudo bem – pois não iremos precisar de tudo que conseguimos acumular, só de poucas e pequenas coisas pra te proteger do que faz mal.
a vida requer um prazo longo e algum tempo pra calcular, dividir nosso cansaço em suaves prestações à se perder de vista, e desligar o gerador de frases que não devem ser ditas por ninguém.
guardo Poucas e pequenas coisas pra te proteger do que faz mal.
e tudo o que guardamos veste a roupa da lembrança e se fantasia para sonhar com o dia em que tudo a nossa volta finalmente encontra,
simplesmente encontra o seu lugar entre as poucas e pequenas coisas pra te proteger do que faz mal.
guardo escovas e pequenas coisas pra te proteger do que faz mal Do que faz mal

quinta-feira, outubro 25, 2012

\o/





Este rapaz que vos escreve foi selecionado entre os 25 da categoria música do movimento hotspot! O Movimento HotSpot é um prêmio de inovação e criatividade que está rolando no Brasil entre 2012 e 2013. A proxima fase é a participação num festival multicultural que rolará em 10 capitais brasileiras.

\o/

sexta-feira, outubro 12, 2012

Tributo ao Raça Negra - um tributo à nossa infância


Bem, chegamos ao dia mais aguardado desde a volta de Jesus, o lançamento do tributo de bandas que pagam suas próprias contas ao Raça Negra. Pelo que lembro da historia do tributo, o Jota Dablio chegou com a ideia logo após o lançamento de outro tributo que participamos – uma homenagem ao Yankeehotel Foxtrot, do Wilco, mas acho que os grandes desbravadores do assunto foi Túlio Bragança – a.k.a Túlio Pb e a Letuce.
Foi túlio com seu Pagode Versions e Letuce com o EP couves que começaram esse revival do pagode. Túlio fez muito sucesso na internet com suas versões de Pagode cantado em inglês, o auge foi ter participado de um “Esquenta” – aquele da Regina Case. Quase ao mesmo tempo o casal do Letuce lançava “Couves” – um epezinho com meia dúzia de covers e entre eles “poderosa”, da banda Brasil (que todo mundo regravou) e “que se chama amor” – aquela do “como é que uma coisa assim machuca tanto”, sabem? E foi túlio que mostrou a versão de “poderosa” durante um podcast que mantivemos por uns poucos meses. Pra mim esta versão foi a melhor canção de 2010 e deveria entrar no tributo como um bônus.


Toda vez que preciso falar sobre minha participação no tributo digo que deveríamos fazer um tributo ao domingão do Faustão com musicas das bandas que tocavam enquanto a Tv era tudo o que tínhamos para passar o domingo. Pense só: anos 90, você mora em uma cidadezinha de interior, destas que uma mesma secretaria atende por “esporte, lazer e cultura”, a Tv e o rádio eram o único caminho, a única via de informação. E o Raça Negra era apenas um dos vários grupos que estavam ali quando ligávamos a televisão num domingo a tarde. Se era bom ou ruim pouco importa, o que tem de se reconhecer o mérito de um grupo que perdura com sucesso por 10, 15, 20 anos - apesar de tudo. É totalmente normal sumir com algumas coisas da memória, conheço muita gente que escondeu brinquedos no armário, os discos da xuxa ou aquela vez em que foi a um show do Jota Quest por causa de uma menina, são pequenas coisas que não pegam bem quando se anda em grupo. Sempre bato na tecla de que você precisa negar as coisas que formam seu caráter para se afirmar em algum lugar da vida. Faz parte, é preciso dar um tempo, meu amigo – até que seja a hora certa de voltar.

Da minha parte tenho certa obsessão com as figuras da minha infância e tento projetar pra frente as coisas que me trouxeram até aqui, torna-las minhas de alguma maneira. Participar do tributo ao Raça Negra é apenas um dos momentos dedicados a colorir a infância e torna-la mais bonita e importante do que realmente foi. Crescer tem dessas coisas, destes desprendimentos que só são possíveis quando a vida já lhe deu sustância e alguma gordura ao redor dos ossos para não se levar a sério o tempo todo.





quarta-feira, setembro 26, 2012

50 discos para Cecilia.






Há pouco mais de uma semana, inventei de criar um blogzinho no tumblr com uma lista de discos para cecilia - minha filha que ainda não nasceu. A ideia era muito simples: pegar minha paixão por música e listas, aplica-la à alguma coisa útil, como um livrinho de historinhas para quando minha filha for adolescente. Não queria que fosse uma lista chata do tipo “voce tem de ouvir porque bla bla bla”, queria que tivesse uma historia por trás, um contexto, alguma coisa sobre como eu nasci e como ela nasceu.
Enfim, do nada a lista de discos para Cecília se tornou famosão, mais famoso que nenhum disco meu jamais foi e muita gente tem acompanhado a saga do pai que fez uma lista de discos para filha. É bem engraçado e tenho me esforçado para manter a coisa divertida. Sem querer descobri que se você misturar música, lembranças e bebês, abre-se um nicho de mercado enorme que engole sexo feminino, elas - e seus devidos corações moles - simplesmente adoraram a idéia.

Eu sei que até a Cecilia crescer e ter idade para entender o mundo ao seu redor, tudo terá mudado e o Tumblr já será a pré-historia tipo quando a gente lembra dos HPG e geosites. Assim que a lista terminar e minha filha nascer, planejo fazer um livrinho ilustrado com as historinhas sobre a familia os discos do pai dela.

domingo, agosto 26, 2012

A fina linha que separa o homem solitário dos pombos do centro de Curitiba desaparece no domingo.

Quando você não é ninguém, você não tem nada à perder

Quando você não é ninguém, você não perde nada, certo? Toda vez que ouço historias sobre gente que foi arruinada pelo compartilhamento de músicas na internet, fico preocupado com o futuro. Desta vez foi a RIAA (basicamente a indústria musical dos EUA) que ganhou um processo contra um guri que distribuiu 31 canções via kazaa lá no inicio dos anos 2000. Fico imaginando quais seriam essas 31 canções que levaram Joel Tenenbaum a ter de pagar uma bolada a indústria fonográfica. Já pensou se as 31 canções eram de um artista que o rapaz nem gostava tanto e estava apenas colocando na internet para impressionar uma garota que adorava essas músicas? Ou era algo tipo um guilty pleassure, uma boyband que ele gostava quando era mais novo e hoje lhe causaria muita vergonha em qualquer roda de amigos ou em uma entrevista de emprego? Imagine que agora o menino está com 28 anos e tem de conviver com uma divida milionária por causa de 31 canções do Nsinc? 

Eu tenho o costume de fazer versões bem diferentes de canções alheias e dar a minha cara a pequenos clássicos da minha infância. É um exercício terapêutico sem fins lucrativos – assim como minhas músicas autorais que estão aos litros por ai. É uma ideologia minha para com a criação musical, mas sim, eu entendo quem tem medo de ser plagiado ou roubado musicalmente. Quando você não é ninguém, você não tem nada à perder, certo? mas não vou mentir, morro de medo de ser mal interpretado por homenagear artistas e cedo ou tarde chegar uma conta na minha casa via aquela empresa cujo nome não pode ser pronunciado por causa do google search, sério. 

Tem um texto muito bom do Matias no Link do estadão que diz “Quando você não paga por nenhuma mercadoria, a mercadoria é você” - então, quando você baixa uma musica gratuitamente está levando um pouco da vida desta pessoa também e eu acho isso o máximo. Eu gosto de pensar que a internet retirou o valor das coisas feitas pelo homem e o depositou a conta sobre o próprio homem, o homem é a arte e seu premio é existir. Eddie Vedder dizia o contrario “ame as musicas, não os músicos”, amar a música é muito fácil, difícil é amar o homem que a criou. 

Existe um livro chamado “o cantor de tango” que se passa na Argentina e na narra a historia de um jornalista a procura de um cantor de tango obscuro - e considerado melhor que Gardel - que nunca gravou nenhuma canção e se apresenta em locais da cidade de Buenos Aires. Em cada apresentação o cantor descreve uma historia local da cidade, da rua, da esquina, acho bem legal a ideia e invejo.
Toda vez que rola um caso como o da RIAA contra um menino ou da empresa cujo nome não pode ser pronunciado contra centros culturais como museu Guido Viaro em Curitiba (motivando o encerramento das apresentações musicais), fico aqui pensando que não seria má ideia nunca mais gravar nada, apenas tocar por ai quando der vontade contando uma história local. Tenho a real noção de que sou apenas mais um zé mané-ninguem com acesso a internet brincando de fazer musica pop na sala de casa e que ainda não sabe, mas está em uma lista negra neste momento.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Estrela Decadente

o champs Thiago Pethit lançou seu novo disco "Estrela Decadente". A bolacha está disponível em vários lugares, inclusive no soundcloud com o link abaixo.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Quando os dinossauros dominavam a sua rua – parte 2



Guiseppe Reichmuth e o quadro mais vendido aos romeiros de Aparecida do Norte de todos os tempos.

Uma das coisas mais divertidas de ser criança é poder imaginar coisas que nunca existiriam na cabeça de um adulto. Depois que a gente cresce fica difícil até de lembrar de qualquer coisa que tenhamos passado, então tendemos à romancear cada flash das nossas memórias e colocar cores onde nunca houve.

Entrei numa espiral infinita de lembranças da infancia no momento que descobri que iria ser pai. Eu já tinha gasto um bom tempo nadando na nostalgia das histórias sobre a familia Rufatto nas canções dos meus discos - em especial o ultimo que, entre outras coisas, destruia sem dó as canções favoritas do meu avô (exemplo abaixo), mas ai veio a gravidez e a coisa me acertou em cheio, ser pai de alguém é uma coisa séria e assustadora.

A primeira mudança “drastica” da gravidez foi a opção por ir morar num sobrado num bairro distante para os padrões de quem estava acostumado à 10 minutos de caminhada entre a casa e o trabalho. Lá háveria muito espaço para uma criança nascer, crescer e abrigar a visita dos parentes. Penso na época em que eu imaginava que coronel vivida era tudo (e realmente era), o Paraguai ficava no fim da rua do mercado e a Disneylândia ficava em Clevelandia - no caminho entre a cidade e a praia.

Meu maior medo de ser pai é estragar ou privar da imaginação boba - aquela que torna as crianças tão especiais. Antes de morar em Curitiba, ouvia as pessoas falando que não gostariam de criar seus filhos em apartamentos ou dentro de quintais fechados. Hoje vejo que isso é um tipo de terrorismo para justificar a opção pela vida no interior - mais ou menos como aquele filme “A Vila”, um filme meio chato, mas serve de exemplo. também serve de referência a super proteção da minha vó que nunca me deixou entrar num rio que não tinha um metro de profundidade. Moral da história: sei que às vezes é preciso proteger e às vezes é preciso deixar cair - obviamente deve ser muito difícil de deixar cair.

A geração atual de crianças parecer não ter apego as coisas e imagino que a expressão “bens duraveis” esteja próxima da extinção - afinal, hoje em dia nada dura muito, uns 2 anos no máximo. Acho que guardar lembranças (e discos são minhas maiores lembranças) é um exercício da memória afetiva para criar uma relação afetuosa com coisas que não dizem mais nada à ninguém, exemplo: a imagem acima deste texto. “O dinossauro atravessando a estrada” era um quadro “famoso” da década de 80 e morava no alto, quase no teto da lendaria Caça e Pesca - a loja de um dos meus tios. Era o quadro favorito do teto e havia vários enfeitando o teto - São Jorge lutando com um dragão, macacos fazendo poses engraçadas até o carro de F1 que Airton Senna pilotou na Lótus. Não sei o que aconteceu com todos eles, creio que foram parar no lixo na grande reforma que fizeram na loja no meio dos anos 90.

 image
A imagem do dinossauro era perturbadora demais para uma criança com muito tempo livre, se eles estavam extintos, o que aquele grandalhão estava fazendo ali? Um dos meus tios aproveitava a situação para contar que aquela “fotografia” havia sido feita na estrada que nos levava até São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

Quando a família saia de férias fazíamos o mesmo percusso e ele avisava “estamos quase passando onde tiraram a foto do dinossauro”, “vamos ver o dinossauro”, mas nunca víamos nada - ele deveria estar dormindo em algum lugar.

Este quadro caiu em esquecimento depois que cresci, mas ainda o uso como referência para exemplificar coisas absurdas dos tempos atuais. Odiaria ficar preso em um tempo e transformar 2012 em um eterno dia da marmota onde sempre toca Sonny & Cher (veja “O feitiço do tempo” para entender). E quando minha filha tiver idade para ter alguma personalidade, provavelmente meu tempo - e tudo que é hype atualmente - terá passado, mas isso não é ruim - pior seria se transformar num integrante do Capital Inicial. Eu serei uma espécie de dinossauro do quadro, vivendo eternamente em uma cena que nunca existiu.

sábado, agosto 18, 2012


Um dia acordei querendo fazer um disco. Queria colocar meu nome de batismo na capa e escrever coisas que falassem pra minha mãe do mesmo jeito que falam para mim quando eu falo sozinho. O mês era maio e o ano era 2007. Era apenas o começo de um período que romantizo e chamo de “trevas”. As lembranças se movem à pão, café e bombas de chocolate e delas surgem as coisas que eu canto. Desde então, Coronel Vivida existe no imaginário como o local pra onde as pessoas vão quando precisam recomeçar, bem lá de baixo. Corri para a (c)asa da minha mãe, ela se apoiava em deus, então rezava e dizia que daria tudo certo (e todo aquele lero-lero cristão no qual fui criado). E no fim, só haviam grandes expectativas e nenhuma boa noticia chegando. Mas era um bom período para teorizar, planejar e pensar sobre tudo, então penso que era preciso. Passei 2008 inteiro tentando fugir como se esse retorno à coronel fosse aquela fase que nunca consegui passar de Prince of Pérsia, para o nintendinho, era preciso perder para continuar lembrando do jogo, como faço neste momento. Algumas palavras sobre isso, por Rocky Balboa “A vida não é sobre quão duro você é capaz de bater, mas sobre quão duro você é capaz de apanhar e continuar indo em frente.”. 
 ...

Faço julgamento errado das pessoas através dos sonhos que elas deixam de realizar em prol coisas maiores (maiores que os sonhos?) e tangíveis. Penso que ser honesto consigo mesmo é uma forma de arte pessoal que poucos conseguem realizar. Li em algum lugar que a arte exige alguma falta de senso para com a realidade, mais ou menos como quando a mulher se olha no espelho e se vê feia e o homem encolhe a barriga. Não sei, acho que é difícil enxergar que você não é mais tão novo, nem tão esperto e que não está conseguindo nada. Apenas continuamos porque é o fluxo, é a teoria da inércia e porque parece ser a coisa certa de se fazer até que não sobre nada além de insistência, como Rocky socando um pedaço de carne no frigorífico. O talento deixa de ser julgamento quando você para pra pensar na sua turma do bairro, aquela com vários guitarristas, alguns bateristas e nenhum baixista. Todos eles, melhores que você e eu, artisticamente e filosoficamente, todos eles viram anos à sua frente que a criação artística só existe quando o fim é ela mesma, ou seja – a diversão.

domingo, agosto 12, 2012

Responso. São tolas e pequenas coisas à nos proteger do que faz mal. Não há voz que possa me confudir, não há ritos, nem despedidas, sempre foi adeus no seu olhar. E tudo o que guardamos veste a roupa da lembrança e se fantasia pra sonhar com o dia que tudo retornará onde deixamos, bem como os brinquedos que enterramos na areia e rezamos um responso pra encontrar.

quinta-feira, agosto 09, 2012

And in the backseat, we're just trying to find some room for our knees. And in the backseat, we're just trying to find some room to breathe.

quarta-feira, agosto 01, 2012

\o/




- mãe, tô na capa da tramavirtual!
O link pro meu perfil na tramavirtual está na sessão "escuta essa"
alem disso, a canção "Roberto-Erasmo" - canção de  "A vida secreta das referências" entrou no playlist de julho ali da foto.


http://tramavirtual.uol.com.br/



quarta-feira, julho 25, 2012

A vida secreta das referências




“A vida secreta das referências” ou “o pequeno disco das piadas internas” foi escrito e lançado em formato de pequenos singles virtuais entre agosto de 2011 e maio de 2012. o disco pode ser ouvido de duas formas: um disco com começo, meio e fim ou como uma coletânea de singles lado A e B. Apesar de não ser uma estratégia, lançar singles e discos cheios tem sido uma terapia divertida pois me deixa livre para tentar coisas novas, estragar músicas antigas, brincar com as capas e homenagear artistas que admiro.

Todas as canções foram gravadas no Ap 405 utilizando o método de gravação “se ficar uma merda, diga que é conceito”, mas com microfones decentes.

 No soundcloud estão disponíveis os B-sides dos singles lançados em 2011 e 2012 e que, de alguma forma, se relacionam diretamente com o titulo e completam a história do álbum, seis versões e duas canções desprezadas totalizando 18 canções gravadas.

Este álbum não tem fins comerciais, eu acho.



"A vida secreta das referências"

01 quase lá, mas ainda aqui.
02 melô do crime passional
03 enquanto a noite puder fingir um sorriso
04 fliperama
05 idem
06 tão distante
07 roberto-erasmo
08 desligue o rádio
09 cão guia
10 luzes do salão

 no soudcloud -

"Hits again (os bons tempos voltaram)" disponível apenas no soundcloud

01 pela longa estrada da vida (milionario e josé rico?)
02 reservations (wilco)
03 aquela do Bonjovi (bonjovi)
04 itmushavebeenluv (roxette)
05 A vida secreta das referências
06 ando só (engenheiros do hawaii)
07 menino da porteira (sergio reis?)
08 blues da salvação (rufatto)






texto explicativo

A ideia central de “a vida secreta das referências” surgiu depois de uma visita de fim de ano à coronel vivida, interior do Paraná, onde reside quase todo mundo da minha família. Durante anos precisei fugir de lá para me encontrar, me achar em algum lugar, algo meu. Eu acreditava numa teoria furada - porem divertida, que em algum momento da vida, é preciso negar coisas para continuar seguindo.
Ai um belo dia você voltava pra casa com chocolate e flores, fazia as pazes, tinha uma boa noite de sono e uma bela historia pra contar - afinal, é o que os filmes e as canções nos ensinam.
De 2007 para cá, eu tenho tentado manter os olhos na estrada e me ater ao que realmente importa. Tinha uma banda, a Hotel Avenida e ela acabou de maneira tensa no meio de 2011, havia um disco inteiro pronto para ser gravado e que ainda me assombra quando penso na qualidade das músicas escritas por aquela banda e que ficaram para trás. Eu não tinha como competir musicalmente com aquele tipo de música, mas também não queria baixar a bola, gravar em silêncio como esse monte de gente que leva 2, 3 anos pra escrever um disco. A saída era brincar com os cover, regravar Roxette, Bonjovi, Sergio Reis ou Engenheiros pra tirar o foco das minhas canções enquanto seguia pra frente até chegar a hora de cuspir 10 canções em forma de uma historinha com começo meio e fim.

“A vida secreta das referências” é sobre estes últimos anos, feito de coisas que ficaram pelo caminho e - sobre tudo - feito de lembranças, das idas e vindas da minha família. Enfim, é um disco metade ruptura, metade reconciliação. Imagino que as pessoas ouvirão as 18 canções (entre canções oficiais, sobras e covers) como uma expressão artística do cara da fotografia, mas eu ouço a história das pessoas ao meu redor, ouço a voz do meu avô. Por isso a capa é esse monte de Polaroids de pessoas próximas e artistas que eu me considero fã. Eu penso que as pessoas nas fotografias me trouxeram até aqui e ainda há muitas outras referências a pessoas que, se não estão nas fotos (a privacidade e o direito autoral me impedem), há uma frase dedicada a cada uma delas – incluindo o gato. 



sábado, julho 14, 2012

Yankee Hotel Foxtrot Tribute - A box full of versions

Assino a ultima música, "reservations", na companhia do Wilco Country Club - os champs André Takeda, Letícia Ribeiro Carvalho, Luiz F, Marina Pereira Penteado, Marcelo Costa, Marcelo Urânia e Manoel Magalhães.


 
tributo ao YHF 




Músicas:
01 I am trying to break your heart (Fernando Bernardino - BA)
02 Kamera (Gru - RS)
03 Radio cure (Harmada - RJ)
04 War on war (Josephines - RS)
05 Jesus, etc. (The Prom Queen - RS)
06 Ashes of american flags (Foppa - RS)
07 Heavy metal drummer (The Sorry Shop - RS)
08 I'm the man who loves you (Trend - RS)
09 Pot kettle black (Benjamins - SP)
10 Poor places (Lestics - SP)
11 Reservations (Giancarlo Rufatto & Wilco Country Club - PR)


Textos:
01 I am trying to break your heart - Manoel
02 Kamera - Paulo Olmedo
03 Radio cure - Ana Paula Margarites
04 War on war - Luiz F
05 Jesus, etc. - JW
06 Ashes of american flags - Marcelo Costa
07 Heavy metal drummer - Carlos Eduardo Lima
08 I'm the man who loves you - Marcelo Urânia
09 Pot kettle black - Fernando Halal
10 Poor places - Freak
11 Reservations - André Takeda

Download só do encarte, com os textos

Yankee Hotel Foxtrot Tribute - A box full of versions (2012) by YHF Tribute

terça-feira, julho 10, 2012

aquela do Bonjovi




Ok, meu bem, o ano é 1995 e estamos no começo do verão. As aulas acabaram e ano que vem começo em outra escola, outra cidade e, assim espero, outras garotas. Escrevi uma carta que nunca te entreguei, dizia algo assim “eu não sei bem, segure minha mão.” Eu ainda não  tinha 14 anos, eu corri e por um segundo vi seu cabelo desaparecer portão adentro. Logo depois disso você foi para a praia e nunca mais conversamos.
Você não entenderia se eu te contasse de onde escrevo essas palavras, mesmo assim, vou te contar garotinha, preparada? Então lá vai: meu bem, eu vim do futuro, estou em 2008, com 26 anos. Como você ainda está ai em 1995, não sabe que o mundo mudou. Pois mudou, quer que eu fale de mim, de você ou do mundo?
Tudo bem, estamos em 1995 e minhas cinco canções favoritas são: wonderwall, don’t cry, giz, simples de coração e Someday I'll Be Saturday Night – aquela do Bonjovi. Logo irei gostar mais de Mayonaise,  do Smashing Pumpkins, do que de qualquer coisa, mas esta é outra história. O que importa é que são estas canções que me fizeram entrar na maquina do tempo mais próxima que havia e voltar à 1995 para te observar, sabe, ver como você era, a única maneira que gostei de você se mantêm pintada na memória assim. Não, eu não sou um velho tarado, talvez um velho, mas quando a gente andava junto a última coisa que pensava era em sexo.
Ok, há uma regra para viajantes do tempo, não devemos contar o futuro ou mesmo interferir no passado, está na clausula 01 do contrato de uso da maquina do tempo. Então digo apenas que você trabalha naquilo que queria desde que te conheço (eu sei é um pouco confuso, já que você me conhece como o amigo do seu irmão há uns meses, mas eu te conheço bem) há uns 13 anos e já cogitei a hipótese de entrar no seu consultório e cobrar minhas horas de analise.
Quanto à mim, está tudo bem, mesmo. Se serve de consolo de todos os amiguinhos da escola, estes idiotas que sentam nas carteiras seguintes as nossas não deram em nada e ficaram gordos e carecas. Quando você estiver em 2008 e quiser me achar, digite meu nome no google, não se preocupe você saberá o que essa palavra quer dizer.
É, você continua ai, você namora um cara que usa frases de efeito, daquelas encontradas em livros de pensamentos e auto-ajuda. O cara leva Caetano Veloso a sério e acha Humberto Gessinger um Gênio (não me leve a mal, o cara é legal, mas né?).  Enfim, ele parou em 1995, antes dos computadores se tornarem baratos e da fibra ótica tomar conta do mundo, deve ser o par perfeito para você (já que você ainda está ai em 1995). Sei que não deveria te contar, mas que se dane: você não termina sua historia do lado do garoto que você gosta. Ele não vai dançar com você na festa de formatura, nem eu vou, ninguém vai. Mas calma, não fique triste, se você pudesse ver como as coisas estão hoje, daria graças a Deus.
Ah sim, mais uma coisa, sabe, daqui uns dias é o casamento da sua tia, por favor, não se arrume no salão de beleza da minha mãe, é um dia trágico para mim, você nem imagina o quanto.
Sinceramente, eu.



* "Someday I'll Be Saturday Night" de Bon Jovi, o mais proximo de bom gosto que eles já conseguiram chegar.

sábado, junho 30, 2012





Há uma teoria furada - porém divertida que diz que para você se afirmar como individuo precisa obrigatoriamente renegar aquilo que te formou, pode ser a opinião dos pais, um disco preferido na infância ou até uma cidade. Assim como discos de rupturas, trabalhos baseados na reconciliação também geram grande comoção. Esse álbum que estou confeccionando desde o ano passado e venho jogando por ai em forma de pequenos singles é metade break-up álbum, metade disco de reconciliação.

quarta-feira, junho 27, 2012

domingo, junho 17, 2012

Declaraçõesdeamorentrequatroparedessãocomoárvoresquecaemsozinhasnasolidãoeescurodomeiodafloresta.

sábado, junho 09, 2012

Quando os dinossauros dominavam a sua rua.

Recebi um elogio via email outro dia, era de um cara que me conhecia há algum tempo, mas não sabia que eu tinha um “trabalho musical”. Era uma pessoa das antigas, um cara do segundo grau que não vejo há bons 10 anos, apenas de redes sociais. Questionei-me sobre os motivos e caminhos que levaram minha musica até ele. Imaginei que ele tivesse encontrado um amigo que era amigo que namorava uma menina que me conhecia por causa das musicas e numa conversa assim “oi, o que você está fazendo? E fulana? Tem visto beltrano? Lembra do, como era o nome daquele gordinho de cabelo vermelho? O ciclano! Ciclano emagreceu” ciclano obviamente sou eu. Na minha cidadezinha, as pessoas ainda associam a obesidade a mim e, assim como grunge, ficam em algum lugar da memória afetiva das pessoas que conviveram comigo por logos 20 anos.

Enfim, respondi o email da maneira que sempre respondo, agradecendo e erguendo os ombros, dizendo que tudo é uma grande terapia que faço para superar os anos 90 (e a época dos cento e poucos quilos de rejeição feminina). Adoro pensar que dentro de cada um de nós mora um cara com sérios problemas de aceitação – sejam elas quais forem. Algumas pessoas não aceitam a infância difícil, outras não aceitam os cabelos brancos e passam a vida pintando o cabelo de “Acaju”, tem a minha mãe que não aceita o preço das coisas que acha que consegue fazer o mesmo serviço com um décimo do valor ofertado. Na praia da música, não há nada mais borring do que o cara que acha que qualquer época é melhor do que essa. Sério, cara, supere isso, se você acha que a década de 80 - com todos aqueles plágios descarados e artistas filhos de papai diplomata - é melhor do que essa época atual onde todo mundo produz arte independente do mercado e do financiamento - e a mil por hora, voce é simplesmente um idiota. O serviço que a internet fez para a minha turma foi tirar a arte do mercado e devolver a arte aos artistas. E ai, sobrevive que se esforça mais e quem erra menos.

...

O único problema da internet - ao meu ver - é o imediatismo, uma corrida louca que atropela os mais lentos e ignora os menos ágeis, desaparecendo quase que por completo a lembrança de coisas que aconteceram há pouco mais de 2 ou 3 anos, um exemplo: Beachwood Sparks.

Beachwood Sparks é uma banda altamente influenciado por Byrds e pelo fantasma do Gram Parsons. Foi a banda queridinha dos indies tristes da virada do milênio, lançou dois álbuns lá no inicio dos anos 2000, alguns eps e varias bandas vieram na coloca BS, tai o band of horses fazendo shows no Brasil. Acontece que o mundo mudou depois do bug do milênio e a banda ficou perdida lá atrás no inicio da internet 2.0 até que a produção do filme de Scott Pilgrin ressuscitou a canção “by your side” para a trilha do filme indie mor do ano passado. Resultado: o beachwood sparks lançará álbum novo este ano.

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Qualidade musical  versus timing, álbuns com pouco mais de 10 anos que a memória da internet trata como se tivessem sido escritos em 1968. O que são dez anos? Na teoria nada, mas no ambiente virtual, 10 anos é igual 100 anos, não existia nada do que existe hoje e todo esse lero-lero digital. O imediatismo online muda a percepção do tempo e te obriga a produzir constantemente para continuar existindo e sendo lembrado. E produzir para existir pode ser muito perigoso quando o assunto é criação, perigoso no sentido de virar uma grande emulação do que é realmente a vida, mais ou menos como continuar morando na mesma rua com os mesmos amigos, com os mesmos vizinhos para continuar lembrando dos melhores tempos de sua vida, quando os dinossauros dominavam o mundo ou apenas a sua rua.

domingo, junho 03, 2012

A música pop e outras coisas que não importam.

“Das coisas insignificantes, a música pop é a mais importante.”
Não sei quem foi que disse esta frase pela primeira vez, provavelmente nem seja exatamente assim e nem mesmo fale de música e sim do peso da uva, do café ou do Futebol. É apenas uma grande verdade quando a colocamos do lado da pilha de contas a pagar.
O fato é que muita gente – eu incluso – deposita boa parte do tempo de sua vida neste planeta para ela – sem ao menos receber algo em troca. A música pop é uma namorada muito exigente e o seu amor por ela é doentio, por ela perdemos amigos, boas piadas e entramos em discussões sobre assuntos que não levam à lugar algum. Parafraseando Bruce Springsteen, há uma piada em algum lugar e é sobre você, eu e todo mundo que pensa estar fazendo algo relevante enquanto escreve uma música, na duvida, pergunte aos seus vizinhos.

A canção pauta minha vida desde que minha mãe me pegou socando a antiga maquina de costura dela como se fosse Steven Adler – o baterista problema do Guns’n Roses - até hoje, enquanto tento decidir a ordem das canções de um disco que não sei se vale a pena lançar. Quando entrei nessa de compor, gravar, fazer música e tal, nunca me passou pela cabeça passar uma década inteira nisso. Aos 20, eu morria de medo de me tornar um pai de família preso numa calça apertada, segurando uma guitarra e cantando sobre como prefiro dormir e esperar um dia que nunca vem à acordar cedo e tomar um bom café da manhã e aproveitar o dia sob o sol. O que eu vejo ao meu redor, o que eu aprendo olhando as outras pessoas é que a vida consiste em uma luta para não se tornar o Axl Rose do bairro – ou seja: aquele que envelheceu pior entre aqueles que envelheceram mal.

Colocar sua fé na música pop é desprezar as bóias e acreditar no poder de único barco salva-vida disponível para um Titanic inteiro de esperanças afundando lentamente, dia após dia.

Existem dois exercícios mentais que faço toda vez que escrevo uma canção: o primeiro consiste em um teste de nivelamento da vergonha na cara que é preciso ter para continuar cantando certas coisas. O exercício dois é tentar imaginar em que situação eu ouviria a tal canção e a reconstruo a partir desta situação, tentando ao máximo criar ícones que possam fazer qualquer se identificar. Odiaria pensar que há um disco tocando por ai e é sobre a minha vida, não é, nunca é, mas pode ser sobre a sua, por mim, ok.
Música boa é música sobre a vida dos seus amigos, sobre a cidade que você mora, sobre a menina que dança enquanto você bebe olhando para ela e é, essencialmente, sobre a vida que continua enquanto os outros desistem ou morrem.


sexta-feira, maio 18, 2012

Melô do crime passional.


é uma falta de bom senso
e um sem jeito de fugir
das coisas que ainda te cercam
do que você não quer sentir
me escondo até desaparecer
até a vontade desistir, ou então...

até que você me encontre
até não então seja tarde
tarde demais (só o bastante pra nós)
até que você me encontre

guardei um pouco de coragem
no mesmo armario onde guardo o meu silêncio
e alguma força pra resistir (à não)
pôr uma faca no seu peito
me encolho até desaparecer,
até a vontade resistir, ou então...

até que você me encontre
até que então seja tarde
tarde demais (só o bastante pra nós)
até que você me encontre
até que você me encontre
até que não seja tarde
tarde demais
 

sábado, maio 12, 2012

Nothing but the dead and dying
Back in my little town
Nothing but the dead and dying
Back in my little town

(Paul Simon)